Resistência bacterianaem ITU comunitárias: importância da análise periódica da urucultura para tratamento adequado

IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE PERIÓDICA DAS UROCULTURAS PARA O TRATAMENTO ADEQUADO

  • Ana Flávia Parreira de Morais
  • Murilo Henrique Fabri Tomazini Universidade de Franca
  • Milena Cristina de Paula
  • Maria Auxiliadora Mancilha Carvalho Pedigone
Palavras-chave: Infecções Urinárias, Infecções Comunitárias Adquiridas, Resistência microbiana a medicamentos

Resumo

Introdução: A etiopatogenia das Infecções do trato urinário (ITU) comunitárias envolve fatores como virulência e resistência antimicrobiana. O germe mais prevalente nessas infecções é a Escherichia coli, seguido por Staphylococcus saprophyticus, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter e Proteus mirabilis. O tratamento com antimicrobianos pode originar microrganismos resistentes (Multi-R). Objetivo: analisar germes prevalentes em uroculturas, comparar o padrão de resistência dos 3 principais microrganismos isolados e mostrar a importância da análise periódica das uroculturas para o tratamento. Metodologia: estudo descritivo, retrospectivo, transversal e analítico, baseado em resultados de uroculturas realizadas em um ambulatório médico do Sistema Único de Saúde (SUS), obtidos através de um banco de dados anônimo, entre janeiro de 2015 a dezembro 2018. Foi apurada uma média das taxas de resistência e realizada análise estatística comparando o perfil de resistência aos antimicrobianos utilizados no tratamento empírico. Resultados: 1.272 uroculturas positivas, com E. coli em 70% das amostras, K. penumoniae, 11,4% e P. mirabilis, 4%, num total de 21,3% de Multi-R. Observou-se diferença significativa nas taxas de resistência dos germes frente aos antimicrobianos.

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Publicado
2021-12-30
Seção
Ciências da Saúde